Seu filho fala sozinho enquanto brinca? Veja o que isso pode significar.

Quando a criança fala consigo mesma, a linguagem pode estar ajudando a organizar ações, sustentar objetivos e desenvolver autorregulação.

Fala privada infantil é o nome dado ao hábito de a criança falar consigo mesma enquanto brinca, resolve problemas ou executa uma tarefa. Longe de ser apenas ruído, esse comportamento pode participar da organização do pensamento e da autorregulação.

Existe um fenômeno extraordinário acontecendo nos quartos das crianças, diante dos olhos de milhões de famílias. Aquilo que parece uma conversa sem sentido pode revelar um dos processos mais importantes do desenvolvimento humano: o momento em que a linguagem começa a se transformar em pensamento.

Uma criança está sentada no chão, cercada de brinquedos. Empilha algumas peças, derruba outras, movimenta um carrinho e conversa consigo mesma. “Não, assim não.” Muda a posição de um bloco. “Agora vai.” A torre desaba. “Preciso fazer de novo.” Nenhum adulto está participando. Não existe outra criança por perto. A conversa parece não ter destinatário, mas isso é apenas aparência. Existe alguém ouvindo atentamente aquelas instruções: a própria criança.

Durante muito tempo, o hábito de falar sozinho foi interpretado como uma manifestação de imaturidade. Afinal, para que dizer em voz alta aquilo que ninguém precisa ouvir? A pergunta parece lógica, mas parte de uma suposição equivocada: a de que a linguagem serve apenas para comunicar pensamentos que já existem. A psicologia do desenvolvimento encontrou razões para considerar uma possibilidade muito mais interessante. A linguagem não serve apenas para expressar o pensamento. Ela também participa de sua construção.

Isso significa que a criança que conversa consigo mesma enquanto brinca pode estar fazendo algo cognitivamente sofisticado. Ao transformar suas intenções em palavras, ela consegue manter objetivos ativos, organizar sequências, lembrar regras e controlar parte de suas próprias ações. A fala deixa de ser apenas um instrumento de comunicação com outras pessoas e começa a funcionar como um recurso para orientar o próprio comportamento.

O que é fala privada infantil?

Esse fenômeno é conhecido como fala privada e ocupa um lugar importante nas pesquisas sobre desenvolvimento cognitivo. Sua relevância está em revelar uma transição fundamental da infância: a passagem de uma mente que depende intensamente de orientações externas para outra progressivamente capaz de dirigir a si mesma.

O psicólogo Lev Vygotsky foi um dos grandes responsáveis por transformar a compreensão desse processo. Em sua perspectiva, muitas funções psicológicas se desenvolvem primeiro nas relações sociais e posteriormente passam a integrar o funcionamento mental do indivíduo. A criança pequena depende da linguagem dos adultos para organizar grande parte de sua experiência. São eles que dizem o que fazer primeiro, alertam sobre dificuldades, explicam regras e ajudam a controlar impulsos. Com o desenvolvimento, a criança começa a utilizar essas mesmas estruturas linguísticas para orientar a si própria.

O que antes vinha de fora começa a ser produzido por dentro, embora inicialmente ainda possa ser ouvido por todos.

É uma transformação monumental escondida em uma cena doméstica aparentemente banal. Quando uma criança diz “agora preciso colocar essa peça aqui”, não está necessariamente narrando uma ação para uma plateia imaginária. Ela pode estar utilizando a linguagem para sustentar uma intenção, testar uma sequência e diminuir a dificuldade de coordenar pensamento e comportamento.

Por que a criança fala mais quando a tarefa fica difícil?

A relação fica especialmente interessante quando surgem obstáculos. Pesquisas sobre fala privada mostram que sua frequência e seu conteúdo podem se modificar diante de tarefas desafiadoras. Em determinadas situações, crianças verbalizam mais quando precisam planejar, corrigir erros ou monitorar o próprio desempenho. A fala acompanha o esforço cognitivo e, em alguns casos, parece funcionar como um apoio para que a criança consiga continuar.

É aqui que a cena da torre de blocos adquire outro significado. A criança observa a construção desabar, anuncia que fará diferente e recomeça. Entre o fracasso e a tentativa seguinte, existe uma pequena operação mental: reconhecer o problema, reorganizar a ação e manter o objetivo. A linguagem pode participar diretamente dessa operação.

O que a fala privada tem a ver com autocontrole?

O fenômeno também ajuda a iluminar uma das questões mais importantes do desenvolvimento infantil: como nasce o autocontrole?

Nenhuma criança chega ao mundo sabendo administrar frustrações, controlar impulsos ou persistir diante de tarefas difíceis. Essas capacidades se desenvolvem gradualmente, envolvendo maturação cerebral, experiência, relações sociais e aprendizagem. A linguagem é uma das ferramentas que podem contribuir para esse processo. Dizer “espera”, “devagar” ou “tenta novamente” pode representar uma tentativa de regular o próprio comportamento antes que esse comando consiga operar silenciosamente.

Um estudo longitudinal publicado em 2021, envolvendo 160 crianças, encontrou uma associação entre formas mais maduras de fala privada aos três anos e melhor controle inibitório aos quatro. O resultado não demonstra que falar sozinho produza automaticamente autocontrole, mas oferece evidência de que a linguagem dirigida a si mesmo participa de processos relacionados à autorregulação.

A descoberta é relevante porque desafia uma intuição comum: a de que pensar melhor significa necessariamente pensar em silêncio. Para um adulto, o silêncio frequentemente acompanha a concentração. Para uma criança pequena, a concentração pode assumir uma forma perfeitamente audível. O que parece ruído para quem observa pode estar ajudando a organizar uma atividade mental complexa.

Quando a voz começa a ficar silenciosa

Há ainda outra dimensão fascinante. À medida que a criança se desenvolve, parte dessa linguagem tende a se tornar progressivamente menos audível. Frases completas podem dar lugar a comentários breves, murmúrios e formas de fala interior. A trajetória não é idêntica para todas as crianças nem ocorre em uma idade rigidamente definida, mas aponta para uma mudança importante: aquilo que precisava ser pronunciado começa a funcionar mentalmente sem depender da vocalização.

O adulto que organiza mentalmente uma sequência de tarefas, reconsidera uma decisão ou tenta controlar uma reação emocional utiliza capacidades que têm uma história de desenvolvimento. Parte dessa história pode ser observada quando a criança conversa consigo mesma durante uma brincadeira.

Isso não significa que toda criança que fala sozinha esteja necessariamente planejando ou exercitando o autocontrole. A linguagem infantil também acompanha fantasias, personagens imaginários, brincadeiras simbólicas e a simples exploração do mundo. Além disso, existem diferenças individuais consideráveis na frequência e na forma como a fala privada aparece. Transformar cada comentário infantil em uma demonstração de inteligência seria tão equivocado quanto considerar o comportamento um sinal de problema.

O ponto fundamental é outro: a ausência de um interlocutor externo não significa ausência de função mental.

Linguagem e pensamento crescem juntos

Talvez essa seja a revelação mais surpreendente de toda a história. Costumamos imaginar que primeiro aprendemos a pensar e depois utilizamos palavras para comunicar nossos pensamentos. O desenvolvimento humano sugere uma relação muito mais profunda e recíproca. A linguagem que nasce nas interações com outras pessoas também pode ser apropriada pela criança e utilizada para organizar sua experiência interna.

A pequena voz que acompanha uma brincadeira pode representar um estágio visível dessa transformação. É como observar um sistema cognitivo construindo, diante dos nossos olhos, parte dos instrumentos que posteriormente utilizará de maneira silenciosa.

E há algo especialmente provocador nisso: uma das conquistas mais sofisticadas da inteligência humana pode se manifestar inicialmente como um comportamento que muitos adultos consideram estranho, desnecessário ou simplesmente infantil.

A criança fala, experimenta, erra, reorganiza e volta a tentar. Sua linguagem ainda não está inteiramente recolhida ao espaço privado da mente. Por isso, uma parte de seu esforço para compreender e controlar o mundo permanece exposta, audível, quase palpável.

Anos depois, ninguém ouvirá aquela mesma criança dizendo em voz alta todas as instruções necessárias para resolver um problema. Ela terá desenvolvido outras maneiras de planejar, avaliar possibilidades e orientar suas decisões. Mas o desaparecimento da voz não significa necessariamente o desaparecimento de sua função.

Talvez signifique exatamente o contrário.

Aquela conversa que parecia não ter destinatário pode ter ajudado a construir um dos interlocutores mais importantes que uma pessoa terá durante toda a vida: a própria consciência de seus pensamentos.

E pensar que tudo isso pode começar com uma criança sentada no chão, uma torre de brinquedos e uma voz baixinha dizendo: “Não deu certo. Vou tentar de novo.”


Referências para aprofundamento

  • Whedon, M.; Perry, N. B.; Curtis, E. B.; Bell, M. A. (2021). Private Speech and the Development of Self-Regulation: The Importance of Temperamental Anger. Early Childhood Research Quarterly, 56, 213–224. DOI.
  • Winsler, A.; Fernyhough, C.; Montero, I. (eds.). (2009). Private Speech, Executive Functioning, and the Development of Verbal Self-Regulation. Cambridge University Press.
  • Krafft, K. C.; Berk, L. E. (1998). Private speech in two preschools: Significance of open-ended activities and make-believe play for verbal self-regulation. Early Childhood Research Quarterly, 13(4), 637–658. DOI.

Outros estudos

O erro "fofinho"dos pais que prejudica a inteligência da criança

Falar “fofinho” demais empobrece a linguagem e reduz o potencial de inteligênciada criança

Pais podem ser amorosos, presentes e cheios de boas intenções, mas ainda assim falharem em um ponto decisivo do desenvolvimento infantil: a qualidade da linguagem que oferece ao filho.

Publicado na revista Developmental Cognitive Neuroscience este ano (2026), a pesquisa mostra que, na pré-escola, o cérebro da criança está amadurecendo conexões ligadas à aquisição da gramática. Nessa fase, cada conversa, história e frase ouvida ajuda a fornecer os padrões que o cérebro usa para transformar sons em regras.

O achado coloca uma verdade incômoda no centro da discussão: não basta falar com carinho. É preciso falar bem. Quando adultos repetem de modo constante palavras infantilizadas, frases deformadas e erros gramaticais, podem estar empobrecendo justamente o material que a criança usa para construir a própria linguagem. O tom doce não corrige a falta de estrutura. Afeto importa, mas o cérebro infantil também precisa de frases completas, vocabulário variado e exemplos corretos da língua em uso.

Interpretação prática:
"O tom doce não corrige a falta de estrutura. Afeto importa, mas o cérebro infantil também precisa de frases completas, vocabulário variado e exemplos corretos da língua em uso para alcançar níveis melhores de inteligência."

A pesquisa foi conduzida por Cheslie C. Klein, Philipp Berger, Charlotte Grosse Wiesmann e Angela D. Friederici, com crianças de 3 a 5 anos. Os autores analisaram duas amostras independentes, uma com 90 participantes e outra com 30, para investigar como a capacidade de aplicar regras gramaticais se relaciona com a maturação das vias cerebrais da linguagem. A habilidade gramatical foi medida por meio de uma tarefa de formação de plural de substantivos, usada como indicador do desenvolvimento morfossintático.

Os resultados mostram que, nas crianças de 4 e 5 anos, a aquisição gramatical apareceu associada à maturação de duas vias dorsais da linguagem. Uma delas se conecta à área BA44, associada em adultos aos processos sintáticos e à linguagem baseada em regras. A outra se conecta à BA6, ligada a processos fonológicos, isto é, à organização dos sons da fala. Nas crianças de 3 anos, esse padrão ainda não apareceu da mesma forma.

Maturação e Regras Abstratas no desenvolvimento da inteligência da criança

Isso sugere que, no começo, o cérebro infantil constrói a gramática usando uma rede mais ampla, ainda muito apoiada nos padrões sonoros da fala. Com o amadurecimento, a via conectada à BA44 tende a ganhar papel mais central, aproximando o funcionamento cerebral do padrão observado em adultos. Em termos simples: a criança primeiro capta padrões, sons e repetições; depois, aos poucos, transforma esse material em regras mais abstratas.

É aí que a fala dos pais entra com força. Se a criança está usando a linguagem que escuta para formar suas próprias regras internas, então a qualidade dessa linguagem importa. Conversar corretamente, ler em voz alta, contar histórias, nomear objetos, explicar ações e usar frases completas não são detalhes educativos bonitinhos. São estímulos linguísticos que ajudam o cérebro infantil a organizar a gramática.

Vias de Estímulo Impacto no Cérebro
Frases completas e corretas Maturação da via BA44 (Sintaxe)
Padrões sonoros e histórias Organização da rede fonológica (BA6)

A fala carinhosa não é o problema. O problema é substituir a linguagem real por uma versão permanentemente empobrecida dela. Dizer “vem cá, meu amor, vamos guardar os brinquedos” oferece muito mais ao cérebro da criança do que repetir “neném guadá binquedo”. A primeira frase mantém afeto e entrega estrutura. A segunda pode ser engraçada uma vez ou outra, mas, ao se tornar padrão, atrapalha o estabelecimento das regras gramaticais que vão nortear o desenvolvimento adulto.

Como o cérebro transforma sons em regras gramaticais

O estudo ajuda a explicar por que a fala ouvida pela criança pesa tanto nessa fase. Nos adultos, a linguagem baseada em regras depende principalmente de uma via dorsal conectada à BA44, área associada aos processos sintáticos.

Mas essa via amadurece relativamente tarde. Por isso, os pesquisadores quiseram entender se ela já sustenta a gramática nos primeiros anos da pré-escola ou se, antes disso, o cérebro infantil usa outros caminhos.

Para responder a essa pergunta, os autores analisaram crianças de 3 a 5 anos, em duas amostras independentes: uma com 90 participantes e outra com 30. Eles compararam a maturação das fibras da rede de linguagem com a capacidade das crianças de formar plurais de substantivos, usada como indicador do desenvolvimento morfossintático.

"O resultado mostrou uma diferença importante entre as idades. Nas crianças de 4 e 5 anos, a morfossintaxe apareceu relacionada a duas vias dorsais: uma conectada à BA44, ligada à sintaxe, e outra conectada à BA6, associada em adultos a processos fonológicos, isto é, à organização dos sons da fala."

Nas crianças de 3 anos, esse padrão ainda não apareceu da mesma forma. A conclusão dos autores é que, ao contrário dos adultos, crianças em idade pré-escolar parecem depender das duas vias dorsais para desenvolver a morfossintaxe.

Em termos simples: nessa fase, o cérebro ainda não apoia a gramática apenas na rota mais típica da linguagem adulta. Ele também usa circuitos ligados aos padrões sonoros da fala.

Isso sugere uma mudança gradual de estratégia. No começo, a criança aprende muito a partir dos sons, repetições e regularidades que escuta. Com o amadurecimento, a via conectada à BA44 ganha papel mais importante, e a gramática passa a se organizar de forma mais abstrata, baseada em regras.

Implicações Práticas

Na prática, a descoberta reforça uma orientação simples para pais e mães: a criança precisa ouvir linguagem rica e bem estruturada. Conversas reais, histórias lidas em voz alta, frases completas e correções naturais oferecem ao cérebro infantil os padrões que ele usa para transformar fala em regra.

Fase de Desenvolvimento Mecanismo Cerebral
Inicial (3 anos) Dependência de padrões sonoros e rede ampla.
Maturação (4-5 anos) Integração das vias dorsais (BA44 e BA6).

Quando o adulto substitui isso por uma fala permanentemente infantilizada e cheia de erros, reduz a qualidade do estímulo justamente no período em que ele mais importa.

Para a vida toda

O desenvolvimento correto das redes neurais ligadas à via BA44 não impacta apenas em uma compreensão correta das regras gramaticais. Vai muito além disso. Ele também interfere na capacidade humana de análise mais complexas e abstratas da realidade.

Desenvolver a gramática não significa apenas aprender a falar certo. Significa fortalecer uma das ferramentas que o cérebro usa para organizar o pensamento. Ao dominar estruturas gramaticais, a criança passa a lidar melhor com relações de causa, tempo, condição, comparação e consequência.

Isso amplia sua capacidade de interpretar situações, compreender instruções, explicar o que vê e construir raciocínios mais abstratos.

Ensinar uma criança a falar bem não é vaidade gramatical. É ajudá-la a construir o sistema mental com que ela vai organizar a realidade.

Se a criança desenvolve melhor a linguagem gramatical, ela também ganha uma ferramenta mental mais poderosa para organizar relações, causas, sequências, condições e diferenças.

Isso não quer dizer que BA44, sozinha, “gera lógica”. O cérebro não trabalha como repartição pública, com um funcionário carimbando “pensamento abstrato”. Mas a linguagem estruturada dá suporte a formas mais complexas de pensamento.

Há outros estudos que reforçam essa ligação entre linguagem e funções cognitivas. Pesquisas sobre crianças mostram associação entre habilidades morfossintáticas e funções executivas, como memória de trabalho, flexibilidade cognitiva e controle inibitório.

Em crianças com dificuldades de linguagem, também aparecem relações entre morfossintaxe e desempenho executivo, o que sustenta a ideia de que gramática e controle cognitivo caminham juntos em parte do desenvolvimento.

Não é falar difícil, é falar bem

Falar bem com uma criança não significa trocar carinho por formalidade; significa manter o afeto e a proximidade sem empobrecer a linguagem que ela utiliza para organizar seu sistema mental e compreender o mundo.

Não se trata de falar com uma criança como se ela estivesse defendendo uma tese diante de uma banca de doutorado, em que cada palavra deve ser pensada e cuidadosamente escolhida. A criança não precisa de formalidade, frases duras ou correções frias. Ela precisa de afeto, presença e linguagem viva.

O que muda é a qualidade da fala. O pai e a mãe podem, e devem, conversar com ternura, voz calma, paciência e carinho. Mas esse carinho não precisa vir acompanhado de palavras deformadas, frases quebradas ou erros repetidos como se fossem fofura.

É possível falar com amor e, ao mesmo tempo, oferecer à criança uma linguagem completa, correta e rica.

Em vez de empobrecer a fala para parecer mais próximo, o adulto pode acolher a criança com frases simples, mas bem construídas: “Você quer beber água?”, “O brinquedo caiu no chão”, “Vamos guardar os carrinhos juntos?”, “A menina ficou triste porque perdeu a bola”. São frases carinhosas, acessíveis e, ao mesmo tempo, cheias de estrutura.

O Equilíbrio entre Afeto e Estrutura

Esse é o equilíbrio: não falar difícil, mas falar bem. A criança precisa sentir amor, mas também precisa ouvir bons modelos de linguagem.

Enquanto recebe colo, atenção e cuidado, o cérebro infantil também está aprendendo como as palavras se organizam para explicar o mundo e processar a realidade de forma lógica.

Princípio Aplicação Prática
Qualidade da Fala Substituir erros de "fofura" por frases completas.
Linguagem Viva Utilizar vocabulário rico em contextos de afeto.

A fala correta oferece ao cérebro os padrões necessários para a maturação cognitiva, garantindo que a ternura do momento presente também se transforme em uma ferramenta intelectual para a vida toda.

Referências:

  • KLEIN, Cheslie C.; BERGER, Philipp; GROSSE WIESMANN, Charlotte; FRIEDERICI, Angela D. Grammar acquisition in preschool children is related to white matter maturation of the dorsal language network. Developmental Cognitive Neuroscience, v. 79, 2026, artigo 101715. DOI: 10.1016/j.dcn.2026.101715.

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Fabiana Desapareceu:

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Classificado como 4.2 de 5

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Desvendando a Linguagem Infantil:3 fatores cruciais para o desenvolvimento da capacidade

A aquisição da linguagem infantil é um processo dinâmico e multifacetado, influenciado por diversos fatores. Um estudo recente trouxe luz a esses aspectos, destacando-se na forma como desafia conceitos prévios, especialmente em relação a famílias de baixa renda.

A pesquisa, liderada pela professora Elika Bergelson, da Universidade de Havard, revela que a compreensão da linguagem começa mais cedo do que se imaginava anteriormente, já por volta dos 6-7 meses de idade. Este achado é crucial, pois mostra que bebês já estão processando e entendendo aspectos da linguagem infantil bem antes de começarem a falar. Esta fase inicial é fundamental para o desenvolvimento linguístico subsequente, pois estabelece a base para a aquisição de linguagem mais complexa.

Além disso, o estudo identificou uma melhoria significativa na compreensão da linguagem infantil por volta do primeiro aniversário da criança. Este marco é importante, pois coincide com o período em que as crianças começam a produzir suas primeiras palavras verdadeiras. A pesquisa sugere que, por volta dessa idade, as crianças não apenas compreendem melhor a linguagem, mas também começam a se tornar parceiras ativas na comunicação.

Um dos aspectos mais interessantes do estudo é sua abordagem global e inclusiva. Ao analisar dados de crianças de diversas origens socioeconômicas, culturais e linguísticas, a pesquisa desafia a noção de que famílias de baixa renda oferecem uma ‘menor qualidade’ de entrada linguística para seus filhos. Este achado tem implicações significativas para políticas públicas e práticas educacionais, pois ressalta a importância de considerar diversos contextos familiares e culturais na avaliação e no apoio ao desenvolvimento da linguagem infantil.

Além disso, a pesquisa também examina a aquisição da linguagem em crianças com deficiências sensoriais, como surdez e cegueira. Este é um campo relativamente menos explorado e que oferece possibilidades para entender melhor como essas crianças se adaptam e aprendem a se comunicar de maneiras que diferem dos métodos tradicionais baseados na visão e audição.

Os resultados do estudo também indicam que os principais preditores do desenvolvimento da linguagem infantil são a idade, fatores clínicos como prematuridade ou dislexia, e a quantidade de fala que as crianças ouvem do mundo ao seu redor. Esta descoberta é significativa porque mostra que, além dos fatores biológicos e cognitivos inatos, o ambiente linguístico em que a criança está imersa desempenha um papel crucial em seu desenvolvimento linguístico.

Em resumo, o estudo oferece uma visão abrangente e detalhada sobre como as crianças adquirem a linguagem, destacando a importância dos primeiros meses de vida e a influência do ambiente linguístico. Ao fazê-lo, ele desafia muitas suposições anteriores e abre caminho para novas abordagens na educação e na intervenção linguística, garantindo que todas as crianças, independentemente de seu background, tenham a oportunidade de desenvolver plenamente suas habilidades linguísticas.

Conheça os 3 Principais fatores que influenciam a capacidade de falar

A aquisição da linguagem em crianças é influenciada por três fatores principais: idade, condições clínicas e o ambiente linguístico. Primeiramente, a idade desempenha um papel crucial. As crianças começam a compreender a linguagem por volta dos 6-7 meses, com avanços significativos por volta do primeiro aniversário. Este desenvolvimento está intrinsecamente ligado ao crescimento cognitivo e neurológico.

Em segundo lugar, fatores clínicos como prematuridade ou condições como a dislexia podem impactar a aquisição da linguagem. Crianças com essas condições podem enfrentar desafios únicos e possíveis atrasos, necessitando de atenção especial para seu desenvolvimento linguístico.

Por fim, a quantidade de linguagem que as crianças ouvem dos adultos ao seu redor é fundamental. A exposição a um maior volume de fala, rica em vocabulário e complexidade, contribui significativamente para o desenvolvimento de habilidades linguísticas robustas. Conversas interativas e envolventes entre adultos e crianças são essenciais para fomentar essa habilidade.

Entender esses aspectos é vital para apoiar efetivamente o desenvolvimento linguístico das crianças.

1. A idade

A idade é um fator crucial no desenvolvimento da linguagem. À medida que as crianças crescem, suas habilidades linguísticas naturalmente se expandem e se aprimoram. O estudo identificou marcos específicos de desenvolvimento, como o início da compreensão da linguagem por volta dos 6-7 meses e uma melhoria significativa na compreensão por volta do primeiro aniversário. Este avanço é um processo contínuo e está ligado ao desenvolvimento cognitivo e neurológico da criança.

2. Fatores clínicos

Certos fatores clínicos, como prematuridade ou condições como dislexia, podem influenciar o desenvolvimento da linguagem. Crianças que nascem prematuras ou têm condições que afetam sua aprendizagem e processamento de informações podem experimentar padrões diferentes ou atrasos na aquisição da linguagem. Por exemplo, crianças com dislexia podem enfrentar desafios específicos na aprendizagem de habilidades linguísticas, especialmente em relação à leitura e escrita.

3. Exposição a ambientes de conversas

A quantidade de linguagem que as crianças ouvem de adultos ao seu redor é um fator significativo. Crianças que são expostas a mais fala por parte dos adultos tendem a desenvolver melhores habilidades linguísticas. Isso inclui não apenas a quantidade de palavras que ouvem, mas também a qualidade das interações linguísticas, como a riqueza do vocabulário, a complexidade da linguagem e o envolvimento em conversas bidirecionais. Este aspecto da pesquisa desafia a noção de que apenas a qualidade da fala dos pais é importante, mostrando que a quantidade também desempenha um papel crucial.

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Referência:

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