Pesquisa revela que o ambiente pode reduzir a capacidade cognitiva de uma criança, mas pais e professores podem evitar isso

Uma recente pesquisa realizada pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade de Melborne, Austrália,  mostrou como o ambiente altera o modo como o cérebro dos jovens se desenvolve e como pais e professores podem minimizar os efeitos perversos de um ambiente ruim.

De acordo com a pesquisa, a exposição a experiências negativas ou estressantes (como um ambiente turbulento, desorganizado e ameaçador) pode alterar o desenvolvimento cerebral de modo que torne alguns adolescentes mentalmente menos resistentes no futuro.

Em particular, diz a pesquisa, a exposição à vizinhança desorganizada  pode levar ao “erro de desenvolvimento“, que ocorre quando há alterações na comunicação entre diferentes regiões cerebrais. Tal erro de conexão desempenha um papel importante para o surgimento de doenças mentais.

Os pesquisadores avaliaram mais resultados de 7.000 crianças de 9 e 10 anos de idade registrados no Adolescent Brain Cognitive Development Study (ABCD) – um estudo de longa duração sobre desenvolvimento cerebral e saúde infantil em adolescentes de todo os Estados Unidos da América.

Os achados da pesquisa indicaram que crianças que crescem em bairros menos favorecidos apresentaram alterações generalizadas na conectividade funcional em regiões cerebrais importantes para o aprendizado, memória, planejamento, definição de metas, autoimagem, sensibilidade e linguagem.

Os pesquisadores chegaram às conclusões ao avaliar os resultados de ressonância magnética, que indicaram a falta de sincronia em regiões do cérebro que agem juntas para a realizar tarefas.

O estudo também mostrou que 50% das alterações detectadas estavam associadas à má cognição e problemas de saúde mental nas crianças.

Entretanto, é importante observar que, como o estudo foi “transversal” (ou seja, incluiu apenas um ponto do tempo), essas inferências sobre causalidade são especulativas. 

Habilidades prejudicadas por um ambiente ruim

  • Aprendizado
  • Memória
  • Planejamento
  • Definição de Metas
  • Autoimagem
  • Sensibilidade
  • Linguagem

Pais e professores mudaram os resultados

A pesquisa também mostrou como os professores e pais de alunos podem fazer a diferença e reduzir consideravelmente os efeitos adversos de ambientes ruins frequentados por crianças.
“Descobrimos que as alterações cerebrais eram menos pronunciadas em crianças que tinham ambientes domésticos e escolares positivos”, disse a pesquisadora Divyangana Rakesh .
O apoio dos pais era composto por ações como o pai sorrindo frequentemente para a criança, apoiando a criança e fazendo-a se sentir melhor quando ela está chateada, discutindo as preocupações da criança com elas e expressando seu amor pela criança.
Já os professores conseguiam reverter a situação ao manter relações saudáveis com as crianças, transmitir segurança, elogiar quando elas faziam um bom trabalho, dar oportunidade para as crianças tomarem decisões e estabelecerem regras e executar tarefas extra disciplinares.
Além disso, quando a escola dava aos pais um feedback sobre algo bom que a criança fez na escola, os efeitos neutralizantes eram potencializados.
escolas informando os pais quando as crianças faziam algo bem, e as crianças tendo oportunidades de contribuir para as decisões sobre atividades e regras.

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